Proposta Pedagógica

A proposta educacional da Escola Educar-se se projeta em duas dimensões: a do desenvolvimento individual e a do desenvolvimento social. Essa dicotomia é lembrada apenas por motivos operacionais, pois se reconhece que a instância individual tem intercorrência com o social e vice-versa.
Enquanto favorece o crescimento de seus alunos, a Escola Educar-se aposta na concretização de uma ordem social nova, onde todos sejam respeitados, onde deixem de existir as divisões de classes, onde se superem as alienações de toda ordem e onde a democracia tome seu verdadeiro significado.

Criatividade
A Escola Educar-se quer ser um espaço de criatividade, para alimento da capacidade produtiva de seus alunos, no plano do pensamento, da sensibilidade e da ação, para reinventar, criar, combinar e experimentar problemas e soluções, para, no exercício do direito à criação, através da expressão livre, resgatar a emoção estética e a produção divergente e flexível; para reinventar circunstâncias e realidades; para reinventar o seu próprio mundo.

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Alunas do 1º ano A trabalhando com argila

Senso Crítico
Na Escola Educar-se é incentivada a capacidade de discernir e julgar, transcendendo o senso comum. O senso crítico exige atitude de estudo, para que exerça sobre e a partir de uma realidade e de um conhecimento efetivamente existente. Para esta compreensão, a ciência resulta da reflexão, e a reflexão será livre e criativa. A crítica que nasce do conhecimento e da reflexão será uma crítica produtiva, que pensa a saída, que gera o projeto, que busca as soluções. Não se quer gerar comportamentos estereotipados de críticas, de oposição por mera oposição.

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Fórum de Alunos

Afetividade
Afeição, amizade e simpatia, construídos a partir do amor de si e também aceitar e estimular o outro, reconhecendo seus próprios limites e os do outro. Aprender a elaborar formas pessoais de auto estima e de autoimagem reais e positivas, através de livre expressão das emoções e sentimentos e da experiência de vivenciar a dinamicidade do relacionamento com os outros. Nesse sentido, a afetividade inclui elementos básicos como: desvelo, respeito, responsabilidade e conhecimento.

Dia da família (24)

Dia da Família, momento de confraternização e carinho entre as famílias

Responsabilidade e liberdade
A liberdade supõe o movimento em determinado espaço para experimentar desempenhos e expressões de toda espécie. Essa liberdade é básica para desenvolver potencialidades de respeito, consideração, responsabilidade para consigo e com outras pessoas.
O fortalecimento da liberdade consiste em formar indivíduos capazes de autonomia(1) em todos os sentidos e respeitar essa autonomia em outrem, em decorrência precisamente da regra de reciprocidade(2) e resposta que a torna legítima para eles mesmos. Daí a vinculação da liberdade com a responsabilidade. É preciso ter liberdade para assumir compromissos ou não.
O tomar decisões por sua própria conta, sem deixar-se governar por outrem, não quer dizer ausência de compromisso social, ao contrário: quanto maior a liberdade, maior a responsabilidade real. Liberdade de opção não autoriza a omitir-se da participação no grupo.
(1) percepção de fato do alcance real das regras às quais se obedece, bem como da possibilidade de adaptá-las ou de construir novas regras em circunstâncias diferentes.
(2) respeito pela autonomia dos outros, respeito pelos direitos e pela liberdade de outrem.

Iniciativa
Implica passagem do desejo a intenções conscientes e dessas intenções a propósitos concretos, desenvolvendo as habilidades de autodireção, ação dirigida pelo pensamento, autocrítica e persistência.
Qualidade daquele que sabe propor e agir, que está disposto a empreender e ousar.
A Escola Educar-se quer ver o seu trabalho no plano do conhecimento e da afetividade culminar na ação, no fazer e transformar. Sobre uma realidade conhecida, age-se e interfere-se com maior segurança.

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Projeto Juntos Somos Mais – Alunos criando puffs com garrafas pet

Participação
Tomar, fazer e ter parte nas mais diversas manifestações que, direta ou indiretamente, afetam o indivíduo e o grupo. Entendemos que a participação envolve:
– A capacidade de o homem conviver, convencer, negociar, sobreviver, conceder, independendo de uma participação na política institucionalizada. Constitui-se em direito social e dever do homem como ser histórico.
– E o aprendizado a por a responsabilidade e a disponibilidade individual a serviço do desenvolvimento grupal, proporcionando a corresponsabilidade.

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Projeto Biocicleta – Alunos e professores envolvidos na atividade

Trabalho
O trabalho é visto sob a ótica:
Da cidadania – considerar o indivíduo não apenas como cumpridor de determinados deveres para com a sociedade, mas como aquele que conhece e exercita seus direitos de cidadão.
Do desenvolvimento de potencialidades – mediante a participação ativa em diferentes segmentos da sociedade.
Esta dupla dimensão se viabilizará:
– através da transmissão de conhecimentos historicamente acumulados e que irão instrumentar o aluno para a prática social;
– pela inclusão de conteúdos orientadores da própria organização do trabalho, propiciando ao aluno o reconhecimento do “para que” e do “para quem” está sendo exercida a ação como trabalhador e quais as consequências que esta atuação pode trazer para a sua existência e para o conjunto da sociedade;
– pela ênfase ao trabalho tanto na produção dos bens materiais quanto na dos bens culturais;
– pelo ensino compreendido em três aspectos: intelectual (princípios científicos dos processos de produção), físico(práticas dos processos) e tecnológico (operativo produtivo).

Transcendência
Para além do mundo natural e do humano, que constituem o objetivo de nossas ciências e trabalho, não temos certezas. Neste sentido, todas as formas de religião são respeitáveis enquanto obras da criatividade humana. A Escola Educar-se, enquanto instituição leiga, respeita a liberdade religiosa, e não procurará doutrinar dentro de uma única visão religiosa.
A Escola enfoca essa questão da transcendência, apontando para um conjunto de valores que possam conduzir a uma vivência pessoal digna e uma convivência fraterna, à busca de uma vida mais plena de sentido.
A presença do Ensino Religioso no currículo, se por um lado constitui exigência legal, por outro deve superar esse caráter de lei e justificar-se por si mesma como um conteúdo que leve o ser humano a uma integração mais equilibrada com o transcendente.

Solidariedade
Ser solidário é poder sair de si em busca do outro. O egoísmo, oposto da solidariedade, leva o homem ao isolamento, ao ensimesmamento e consequentemente à destruição de si e do outro.
A Escola Educar-se quer que seus alunos sejam pessoas que possam olhar para o outro e caminhar ao encontro dele para juntos buscarem a realização de um mundo mais justo e mais fraterno.

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A turma do 5º ano montou um ninho de Páscoa coletivo. O presente foi entregue às crianças das Casas-Lar Gideões, de Santa Cruz do Sul.

Cultura e Lazer
É preciso distinguir dois planos no que se entende por cultura: a cultura em sentido amplo e a cultura em sentido estrito. Considerada em sentido amplo, a cultura pode ser descrita como o conjunto dos modos de sentir, de agir e de pensar que exprimem as relações simbólicas dos humanos com a natureza, com o espaço, com o tempo, com o sagrado, com o divino e uns com os outros. Neste sentido, a maneira de construir uma casa, de cantar, de rezar, de dançar, de chorar, de vestir, de amar e de odiar, de encarar a infância, a velhice, a maturidade, etc., tudo isso costuma ser chamado de cultura. Construída pelos humanos, a cultura é que constitui o mundo propriamente humano, isto é, o modo como os humanos imprimem na realidade as suas ideias, sentimentos, esperanças, alegrias, tristezas, etc. Desta forma, todos os seres humanos são detentores de cultura, seja como reprodutores de ideias práticas, seja como reprodutores da cultura estabelecida.
Considerada em sentido estrito, a cultura vem a ser o conjunto de práticas e de ideias produzidas por grupos especializados em diferentes formas de manifestação cultural: as artes, as ciências, as técnicas, as filosofias.
Considerando que a cultura é mutável, produto eternamente provisório da negociação entre diferentes grupos sociais, a Escola Educar-se pretende capacitar alunos para que possam intervir com criatividade, conhecimento de causa e senso crítico na cultura (em sentido amplo) da sua cidade e do seu país. Com vistas a isso, incentivamos um lazer criativo, no qual eles possam tomar contato com a produção cultural específica (literatura, pintura, cinema, rádio, televisão, imprensa, escultura, pesquisas científicas, teorias filosóficas, teatro, música, dança, etc.), não apenas como meros espectadores, mas também como críticos e produtores de cultura, se reapropriando de uma forma criativa e expressiva dos componentes culturais que transpassam o espaço social. Criatividade, porém, vale relembrar, não é possível se o seu portador não possuir o conhecimento adequado e o adestramento técnico. Por isso, a Escola Educar-se acredita na competência técnica e profissional dos seus professores sem os quais não haveria desenvolvimento cultural e liberdade de criar.